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    Camilla Sartorato é a responsavel por este blog. É jornalista e reside em Londrina/PR.Atualmente trabalha na Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), prestando serviços de Assessoria de Imprensa. Além disso, fez parte da Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado setembro de 2008 em Londrina. Contato: camillasbr@hotmail.com

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Pessoas com down praticam karatê

 

Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. O esporte se baseia em uma arte científica, fazendo o uso de todas as partes do corpo para a auto-defesa. O grande objetivo do karatê é a perfeição do caráter através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo.

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Em Londrina, a prática do karatê vem melhorando a qualidade de vida de crianças e jovens com síndrome de down. O projeto de extensão “Síndrome de Down – Arte e Vida em Movimento com o Karatê” teve início no ano de 1999, com a proposta de receber crianças com síndrome de down nas instalações da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Desde então, as atividades realizadas atendem cerca de 110 alunos.

O trabalho, idealizado pelo professor de Educação Física e especialista em Educação Especial Mário Molari, recebe alunos de diversas instituições de Londrina e região. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down) foi a primeira associação parceira do projeto. Quando estabelecido o apoio, em 1999, cerca de 10 alunos, entre crianças, jovens e adultos participavam das atividades. Atualmente, a APS Down conta com duas aulas práticas por semana em que mais de 30 alunos praticam o Karatê, supervisionados por professores e estagiários do curso de educação física.

 “O objetivo, além de melhorar a qualidade de vida dos alunos, é qualificar estagiários de educação física e mostrá-los uma outra realidade, além desenvolver atividades motoras necessárias ao down”, afirmou o coordenador do projeto, Mário Molari.

O conteúdo das aulas é organizado sobre a plataforma de duas matérias do karatê: o kata e o kihon. Kata são exercícios formais que desenvolvem o corpo e a mente através de formas, modelos, desenhos, executados de maneira encadeada e pré-determinada por linhas gráficas denominadas “embusem” e que seguem um ponto político e histórico de cada mestre. O kihon é o conjunto das técnicas que compõem o kata. Podem ser praticadas individualmente ou em conjunto. O kihon é a forma do movimento em si só, ou seja, são as bases, as defesas e os ataques. “No kata, os alunos fazem os movimentos e têm de voltar ao mesmo lugar de onde começaram, tendo noção de espaço”, explicou Molari.

De acordo o professor, o karatê trouxe inúmeros benefícios aos alunos, como concentração, postura, trabalho em equipe, força muscular, melhoria de aspectos neuromotores, esquema corporal, velocidade de reação, noção de espaço e ritmo. “O esporte serve também como inclusão social. Por exemplo, os que praticam esporte vão melhor na escola, principalmente, nas aulas de educação física”, afirmou.

Serviço

As pessoas que têm filhos com síndrome de down, de qualquer idade e que estiverem interessados no projeto, bastam comparecer a qualquer um dos locais onde são dadas as aulas de karatê e inscreverem os filhos. Os locais são a APS Down, na rua Plutão, nº 245, jardim do Sol; no Centro Ocupacional de Londrina (COL), na rua Açucenas, nº 100, jardim Colina Verde; na Unopar, no campus da avenida Paris, nº 675, jardim Piza; e nas Apaes de Rolândia e Arapongas. As aulas são gratuitas.

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Pesquisa identifica capacidades motoras de downs

Avaliação foi realizada em outubro do ano passado com 11 alunos do Ilece com idades entre 14 e 30 que não foram submetidas à estimulação precoce
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Texto e Foto: Danilo Felipe

Um artigo acadêmico produzido em outubro do ano passado pela professora de Educação Física Michele Andréa Piquina, avaliou as capacidades motoras de pessoas com síndrome de down, estudantes do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), que não tiveram a estimulação precoce no início da vida. Os resultados mostraram que, nestes casos, a idade motora dos avaliados foi inferior ao que era esperado.

De acordo com Andréa, que apresentou, neste sábado (dia 27), seu trabalho no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, foram avaliados 11 alunos com idades entre 14 e 30 anos. “O objetivo foi identificar as idades motoras de cada pessoa com a síndrome para poder preparar aulas e atividades específicas para cada um”, explicou a professora.

Durante a apresentação do trabalho, ela mostrou os resultados obtidos da avaliação de dois dos alunos, uma menina de 17 anos e um jovem de 21. Em ambos os casos, as idades motoras foram iguais a 4 anos e 3 meses. “É uma característica da síndrome de down um certo atraso no desenvolvimento. Se a pessoa não passa pela estimulação nos primeiros anos de vida, é pior ainda”, analisou.

No entanto, de acordo com Andréa, este quadro vem mudando. “As pessoas avaliadas na pesquisa nasceram em épocas em que a estimulação precoce não era tão divulgada. Hoje em dia, praticamente todas as crianças fazem a fisioterapia corretamente. A mãe já sabe se criança tem síndrome de down no segundo mês de gestação, por isso, ela já vai se preparando para o tratamento do bebê”, ressaltou.

Esse é o tema da próxima pesquisa que a professora vai desenvolver. Conforme ela, a nova pesquisa vai avaliar crianças de 5 a 10 anos de idade que foram submetidas à estimulação essencial na primeira fase da vida. “O objetivo com estas pesquisas é desenvolver a autonomia motora e cognitiva do indivíduo com síndrome de down. Se isso for trabalhado precocemente, a pessoa com a síndrome vai poder desenvolver as características motoras, assim como uma pessoa que não tem down.”