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    Camilla Sartorato é a responsavel por este blog. É jornalista e reside em Londrina/PR.Atualmente trabalha na Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), prestando serviços de Assessoria de Imprensa. Além disso, fez parte da Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado setembro de 2008 em Londrina. Contato: camillasbr@hotmail.com

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A escola é para todos: Políticas Públicas de Educação Inclusiva

Nesta última quinta-feira (09/07), durante o Encontro de Formação para Educação Inclusiva: alunos com síndrome de Down, organizado pelo Ministério da Educação (MEC) em Brasília, foram apresentados os conceitos e diretrizes do Atendimento Educacional Especializado (AEE). O programa, que promove o acesso e aprendizagem de alunos com necessidades educacionais específicas na escola pública, é uma ferramenta importante para a busca e construção de uma sociedade inclusiva.

Educação Inclusiva - Rita estudando em classe comum, direito seu e de todo cidadão. Foto: Roberto Ortega

Educação Inclusiva - Rita (deficiente visual) estudando em classe comum, direito seu e de todo cidadão. Foto: Roberto Ortega

“Os dados apontam que 98% da população brasileira tem acesso ao ensino fundamental. Vamos, então, pensar nos 2% que se encontram fora da escola”. De acordo com Cláudia Dutra, secretária de educação especial do MEC, os processos da educação são contínuos. “É preciso preocupar-se com as crianças e jovens que por algum motivo não são beneficiadas pela educação. Ainda mais é preciso pensar que as pessoas com deficiência estão inseridas neste público. Os 2% não compreendem somente os públicos rurais, indígenas e classes econômicas baixas”, ressalta.

Todo cidadão tem o direito de pertencer, aprender e participar da escola. E é nos bancos de uma sala de aula onde se encontra uma diversidade imensa. Neste contexto, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva proporciona, através do AEE, que todo e qualquer aluno seja atendido nas suas especificidades. O projeto garante, como afirma a consultora do MEC, Sinara Pollon Zardo, acesso pleno a educação, eliminando as barreiras impostas anteriormente.

A promoção de acesso aos sistemas de ensino, engloba como público alvo os alunos com deficiência (física, sensorial e intelectual), transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (ou super-dotação). A transversalidade da educação especial será, também, garantida desde a educação infantil até a educação superior.

O atendimento oferecido pelo programa do MEC deve ser realizado no período inverso ao da sala comum frequentada e, de preferência com localização na própria escola. Ou seja,  o aluno estará incluído na classe comum como é de seu direito e, além disto, será acompanhado em horário extraclasse a partir de suas necessidades específicas. A sala de recursos, como foi nomeado o espaço organizado para a prática das atividades, oferece serviços e recursos multifuncionais. Além disso, o profissional que encaminhará o programa do AEE deverá obrigatoriamente ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica na área da Educação Especial.

A elaboração das estratégias de ensino deste projeto pedagógico deve anteriormente passar pela identificação das necessidades educacionais do aluno, a produção de materiais específicos e orientação de pais e familiares. No caso de alunos com deficiência visual (sensorial) será contemplado o ensino do sistema Braille (leitura através do tato), Sorobã (aparelho de cálculo), etc. Já para os alunos com deficiência física o mobiliário será adaptado e as aulas ensinaram técnicas de comunicação alternativa, recursos para acesso ao computador, entre outras atividades.

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Jovens participaram ativamente de Congresso Down

Durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado nos dias 24 a 27 de setembro, cerca de 20 jovens com idade entre 16 e 25 anos trabalharam integralmente no evento. Exercendo atividades práticas, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), forneceram informações e orientações aos participantes, além de moderar debates e palestras.

Participantes receberam remuneração

Participantes receberam remuneração

Para a terapeuta ocupacional da APS Down, Denise Lopes Gomes, o principal objetivo é que estes jovens tenham uma participação ativa no Congresso. “Trabalhando assim também se sentirão importantes”, afirma ela.  “Eles participaram em moderação das mesas-redondas, entrega de bolsas e crachás, anúncio de palestras, guias durante o evento, entre outras atividades”, conta a terapeuta.

Após o evento, os alunos se reuniram na sede da Associação para entrega solene dos certificados de participação no Congresso e remuneração dos dias trabalhados. Segundo Ana Cássia Jorge Cestari, diretora pedagógica da APS DOWN, este é um momento de muita importância e de responsabilidade. “Com esse dinheiro os alunos ganham auto-estima e realização profissional. Todos que trabalharam no evento sabiam do compromisso que deveriam ter e sentiram-se úteis. A gratificação foi uma conseqüência deste momento de responsabilidade”, conta ela.

Além disso, a família teve um papel importante de estimulo e incentivo. “Muitos adolescentes e jovens espelham-se nos próprios pais. A iniciativa trouxe à tona aspectos de inclusão na sociedade. Por exemplo, a figura paterna que recebe o salário todo fim de mês fica mais próxima e acessível”, explica Ana Cássia.

Espaço Berçario - "Cuidar de crianças exige atenção"

Espaço Berçario -

“Foi muito interessante trabalhar no Congresso”, afirma Viviane Rodrigues Borges, 21, que auxiliou o berçário montado durante o evento. “Aprendi a cuidar dos bebês e vi como é bom dar atenção a eles. Me senti muito importante trabalhando”, conta ela. Depois de receber o salário, Viviane pretender comprar roupas e bijuterias. “Vou usar o dinheiro para comprar coisas para mim. Sou vaidosa”, ressalta.