• foto_mi

    Camilla Sartorato é a responsavel por este blog. É jornalista e reside em Londrina/PR.Atualmente trabalha na Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), prestando serviços de Assessoria de Imprensa. Além disso, fez parte da Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado setembro de 2008 em Londrina. Contato: camillasbr@hotmail.com

  • Blog Stats

    • 265,114 acessos

Aps-Down se mobiliza a favor da Educação Inclusiva

A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APSDOWN Londrina), em parceria com Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), solicita o apoio de todos os ativistas, especialistas, associações, entidades, conselhos e grupos para que colaborem com a Mobilização de apoio a Resolução Nº13 de 2009, com o intuito de garantirmos o direito de todo cidadão de pertencer, aprender e participar da escola, baseando-nos nos princípios da educação inclusiva.

Neste sentido, pedimos que todos se interem a respeito desta Resolução (disponível aqui) e que, também, leiam o manifesto da FBASD (disponível aqui). Para que consigamos ultrapassar mais este obstáculo, necessitamos de uma mobilização pública, já que o tema é do interesse de todos que lutam pela educação de qualidade e acreditam que a educação é um direito inquestionável, indisponível, ou seja, o melhor para os alunos e para toda a sociedade.

Socilitamos, então, que todos enviem o pedido de apoio à homologação da Resolução Nº13 de 2009, do Conselho Nacional de Educação, ao Ministro Fernando Haddad. Para quem preferir o texto produzido pela FBASD (disponível aqui) pode ser encaminhado e assinado com o nome do remetente.

O endereço eletrônico do Ministro Fernando Haddad é:

> gm-chefia@mec.gov.br

> gm-chefia(arroba)mec.gov.br


Contamos com a colaboração de todos em mais esta luta!!

A divulgação desta mensagem para outros contatos e amigos também é válida.

_______________

Camilla Sartorato

Assessoria de Imprensa APS-DOWN

Coordenadora da Agência Inclusive

Anúncios

Projeto obriga políticos a matricularem seus filhos em escolas públicas

Uma proposta polêmica de autoria do ex-ministro da Educação e atual senador Cristóvão Buarque (PDT) esta pronta para a votação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania(CCJ). Pelo projeto de lei, vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e o presidente da República estarão obrigados a matricularem seus filhos em escolas públicas. O projeto estabelece ainda que a medida deve ser implementada até 1º de janeiro de 2014.

A matéria de nº 480, protocolada em meados de agosto de 2007, apresenta-se atualmente em processo de espera para votação, uma vez que a verificação de dados já foi realizada e os objetivos definidos. Segundo a justificativa contida no projeto de lei, salva raras exceções, os filhos dos dirigentes políticos estudam a educação básica em escolas privadas. E este fato deve-se, em primeiro lugar, a má qualidade da escola pública brasileira, e, em segundo lugar, o descaso dos políticos eleitos para com o ensino público.

Sala de aula. Escola Municipal Professora Jovita Kaiser, na zona norte de Londrina.
Sala de aula: uma diversidade imensa. Escola Municipal Professora Jovita Kaiser, na zona norte de Londrina, Paraná.

De acordo com o ex-ministro, estima-se que os 64.810 ocupantes de cargos deduzam um valor total de mais de 150 milhões de reais nas suas respectivas declarações de imposto de renda, com o fim de financiar a escola privada de seus filhos. Deste total, R$ 2.373,84 são gastos com estudos no exterior. Considerando apenas um dependente por ocupante de cargo eleitoral.

O senador pedetista também enumera quatro objetivos do projeto de lei: o compromisso do representante do povo com a escola pública; o interesse das autoridades para com a educação pública e a consequente melhoria da qualidade dessas escolas; evitar a “evasão legal” de mais de 12 milhões de reais por mês, o que aumentaria a disponibilidade de recursos fiscais à disposição do setor público, inclusive para a educação; a urgência de, em sete anos, desenvolver a qualidade da educação pública no Brasil.

Favorável ao projeto, a pedagoga e coordenadora de uma escola estadual, Carla Tristão, afirma que a proposta seria uma importante iniciativa para melhor apreço dos políticos para com a educação pública. “O projeto incentiva os políticos a refletirem e repensarem a qualidade do ensino público. Pois o que falta hoje é uma valorização maior quanto ao corpo docente, ao que se refere à formação do professor. É importante destacar, também, a questão da segurança nas escolas e a situação da estrutura física. O ensino público encontra-se atualmente defasado, pois não existe interesse por parte dos governantes na sua melhoria e qualidade”, relatou.

A proposta de Cristóvão Buarque entrou em pauta para discussão em várias regiões do país. Para o vereador Roberto Fú (PDT-PR) a medida é de seu interesse e se faz importante para a consequente excelência do ensino público. “Sou plenamente a favor da proposta. Não possuo plano de saúde e utilizo o hospital público. Meu filho, também, sempre estudou em colégios e universidades públicas. Muitos políticos quando eleitos acreditam que a melhor opção é sempre mudar de casa e trocar a escola onde o filho estuda. Mas, acredito que isto é um mito, pois político tem que participar e ir também pra fila do hospital”, disse.

Já para vereadora Lenir de Assis (PT-PR), que não possui filhos, mas tem cerca de 32 sobrinhos matriculados em escolas públicas, a essência e objetivo do projeto de lei são interessantes. “A primeira iniciativa de todos os agente públicos deveria basear-se na melhoria e superioridade do ensino no país. Investimentos na educação que permitissem que todos os brasileiros estudassem em escolas de qualidade. Acredito que todo projeto que visa à educação pública deve ser apreciado”, afirmou.

Segundo ela, porém, a obrigatoriedade imposta pelo projeto de lei não é necessária. “Quanto ao fato dos políticos matricularem seus filhos em escolas públicas, penso que não será a partir deste projeto que esta iniciativa irá ocorrer. Sem dúvidas, outros políticos encontraram espaços para argumentar que o projeto é inconstitucional. Avalio que não é correta uma lei que priva um pai de família em colocar seu filho nesta ou naquela escola. Mas acredito que seria ético por parte dos legisladores conhecerem um pouco mais a educação pública”, argumentou a vereadora.

Procurador do PR é nomeado desembargador e ponto!

Deixemos de lado as divinizações e características. O procurador Ricardo Tadeu da Fonseca, 50 anos, possui autonomia, independência e, conseqüentemente, méritos próprios para ter sido nomeado desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, na última quinta-feira (16) em Curitiba.

Ricardo Tadeu da Fonseca. Nomeado desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região

Ricardo Tadeu da Fonseca. Nomeado desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região

Fonseca foi um dos responsáveis pela criação da Convenção Internacional sobre Direitos de Pessoas com Deficiência, que no último dia 09 (quinta-feira), comemorou um ano desde sua ratificação. A iniciativa é um marco importante na luta por uma sociedade inclusiva. A Convenção baseia-se nos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, que reconhece a dignidade e o valor inerentes e os direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana como o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.

A Agência Estado, seguida por tantos outros portais de informação, publicou o fato de um integrante do Ministério Público, com deficiência visual, ser o primeiro com esta deficiência a assumir esta posição no país: Procurador do PR é o primeiro juiz cego do Brasil. Desculpem-me, caros jornalistas, mas por que tanta comoção? Não divulgamos matérias e reportagens quando outros indivíduos públicos por estarem acima do peso, assumem cargos imponentes, ou mesmo, caracterizamos o Presidente da República como alguém extremamente singular por não ter o dedo mínimo.

Comumente utilizados, os termos como “santo”, “pessoa iluminada”, “super-herói”,  não colaboram na construção de um ambiente inclusivo, uma vez que, ainda que superficialmente pareçam uma alternativa “sensível”, afastam as pessoas com deficiência das pessoas comuns. A desigualdade refletida através destes atos dificulta, por exemplo, a luta por direitos civis destes indivíduos.

Esta discriminação se manifesta, também, através da aplicação de adjetivos generalizantes, como é o caso, por exemplo, de publicar informações afirmando que um empregado com deficiência é mais leal e produtivo que outro não-deficiente. Em outros casos, utilizam-se da homogeneização, que compreende caracterizar um determinado tipo de deficiência ligando-a com a prática produtiva de atividades ou sentimentos. Por exemplo, escrever que crianças com síndrome de Down têm, necessariamente, um dom para as artes ou são muito afetuosas. Pois não são, já que interagem com o ambiente e desenvolvem a personalidade com qualquer individuo.

Resumidamente, é preciso ter cuidado ao divulgar tais informações. A mídia como formadora de opinião através de notícias como esta é capaz de alimentar, ainda mais, o preconceito e descriminação que cerca as pessoas com deficiência. Todo, e qualquer, indivíduo tem suas limitações, assim como também todos somos diferentes.

Encontro de Educação Inclusiva: alunos com síndrome de Down

O Encontro de Formação para Educação Inclusiva – alunos com síndrome de Down, realizado em Brasília, durante os dias 09 e 10, teve como objetivo discutir os principais conceitos e objetivos da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, além de ter sido uma importante oportunidade para a troca de experiências, entre todos os presentes, no que tange a área da educação.

Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa). Representantes da Aps-Down Londrina

Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa). Representantes da Aps-Down Londrina

O evento realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e organizado pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), reuniu representantes das instituições filiadas e convidados. A Aps-Down, como percussora, na região do Paraná, das práticas relacionadas à educação especial e inclusão escolar, participou ativamente do encontro através da presença de Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa).

No decorrer das atividades foram abordadas as diretrizes do programa de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que consiste na promoção de acesso aos sistemas de ensino, englobando como público alvo os alunos com deficiência (física, sensorial e intelectual), transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (ou super-dotação). Em geral, debateu-se, prioritariamente, o direito que todo cidadão possui de ter acesso irrestrito à educação regular com o apoio necessário. Tal direito é inquestionável, contudo, não basta ser legal e legítimo: deve ser efetivo.

Outro marco importante do evento foi a comemoração de um ano de ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Nesta ocasião, todos os grupos, movimentos e associações presentes assinaram uma carta de compromisso, na qual a participação em futuros Seminários e Conferências, é imprescindível para reciclar, inovar e aprimorar as práticas inclusivas. Durante esta mesma cerimônia foi divulgada a campanha da Acessibilidade do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (CONADE). A adesão ao projeto foi realizada por 39 associações e 4 instituições presentes.

Adesão à Campanha Acessibilidade. Presença de Associações, Grupos e Movimentos Sociais.

Adesão à Campanha Acessibilidade. Presença de Associações, Grupos e Movimentos Sociais.

No segundo dia do encontro, durante a apresentação da Mesa com as Associações: Experiências em Educação Inclusiva, Elena explicou as principais atividades desenvolvidas pela Aps-Down, que possui aproximadamente 60 alunos inseridos no ensino comum. A presidente também esclareceu que a equipe pedagógica da instituição promove visitas periódicas às escolas com o intuito de acompanhar o desenvolvimento de cada aluno e orientar os professores. Além disso, os profissionais da área terapêutica também participam da inclusão escolar oferecendo palestras e cursos aos docentes.

Elena Veronesi (Aps-Down) - Mesa com as Associações: Experiência em Educação Inclusiva

Elena Veronesi (Aps-Down) - Mesa com as Associações: Experiência em Educação Inclusiva

Discurso de Flávio Arns contraria princípios da inclusão

Para começo de conversa, uma breve introdução…

Pela quantidade de debates presentes nos fóruns de discussão acadêmicos e na literatura parece cabível dizer que insistir nos conceitos e práticas da inclusão é uma tentativa ultrapassada. No entanto, a realidade permeia-se por outros ângulos. É preciso um exercício constante contra os indícios da exclusão, pois apenas incluir não basta.

Nesta temática inclusiva destaquemos no momento as pessoas com deficiência (ou os portadores de deficiência para aqueles que, ainda, insistem em não usar a terminologia correta), comumente classificadas por muitos como representantes de um nível altíssimo de demonstração de caridade.

Ainda é mito a autonomia e independência destas pessoas consideradas às margens de uma sociedade que não é nem justa e, muito menos, democrática. Neste contexto devo considerar que a problemática em destaque não esta inserida na pessoa e sua deficiência e, sim, no meio em que ela se encontra. As barreiras são mais atitudinais do que prioritariamente físicas.

Dudo rodeado de seus colegas de classe - Educação Inclusiva - Foto: Roberto Ortega

Dudu (deficiente físico) rodeado de seus colegas de classe - Educação Inclusiva - Foto: Roberto Ortega

Voltemos à pauta em questão…

Na última quarta-feira (14/07), o senador Flávio Arns, conhecido por suas defensorias ativistas as APAE’s (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) se pronunciou contrário à nova Política adotada pelo Ministério da Educação (MEC). De acordo com o novo programa de ensino (Atendimento Educacional Especializado – AEE) todo e qualquer aluno tem o direito de aprender e participar da escola e deve, consequentemente, ser atendido nas suas especificidades.

A partir de recomendação da Secretaria de Educação Especial do MEC, o Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu diretriz oposta à inserção de pessoas com deficiência em instituições de educação especial, ou seja, os espaços que contrariam os princípios ideais de inclusão plena, pois segregam os indivíduos inibindo-os do convívio natural na sociedade e, além disso, os dispõe de frequentar o ensino regular.

Segundo Arns, por outro lado, esta manifestação pode significar a proibição a essas instituições “altamente especializadas” de acesso a recursos públicos, inviabilizando o seu funcionamento. De acordo com o material publicado na Agência Senado, Flávio Arns disse ainda que a Secretaria de Educação Especial é comandada por pessoal desqualificado, sem experiência na área e que ocupa o cargo “apenas por ser parente de político”. O senador fez um apelo às pessoas com deficiência e a seus familiares para que se mobilizem contra a política do MEC. No entanto, disse que o próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, já se manifestou a favor do apoio às escolas especiais.

Entretanto se o pronunciamento em questão no fosse altamente contraditório os movimentos de controle social, que buscam e reafirmam a importância de uma sociedade mais inclusiva, não estariam neste momento apontando seus lápis e rapidamente manifestando suas indignações sobre a colocação reincidente e infeliz do senador.  Como é o caso da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) que já se posicionou negativamente sobre o assunto e disponibiliza abertamente a carta a seguir:

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down vem por meio dessa discordar do pronunciamento do Senador Flávio Arns, nesse dia 14 de julho de 2009. Novamente o Senador se manifesta contra a “Educação” em conformidade ao que preconiza a Constituição Federal de 1988, e contraria os princípios fundamentais da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que vigora no território nacional com valor de Emenda Constitucional.

Perguntamos ao Senador como construir uma sociedade inclusiva sem a convivência na sala de aula e o sentimento de pertencer a mesma geração, e ainda por que pessoas com deficiência intelectual,atualmente com maior acesso ao AEE- Atendimento Educacional Especializado, não deveriam usufruir do direito adquirido à educação inclusiva.

Preferencialmente precisamos ajudar a diminuir as barreiras da segregação e acabar com as causas do preconceito. Preferencialmente esperamos que os Senadores do nosso país estejam conosco exigindo educação de qualidade para Todos (as), nos mesmos espaços, e lutem conosco para que crianças e adolescentes tenham acesso as salas de recursos multifuncionais em seus estados e municípios.

Como mães e pais, precisamos e queremos que nossos filhos cresçam sem segregação, não pensamos apenas no hoje, mas também no amanhã, quando pode ser que precisem de mais recursos e apoios e talvez não estejamos presentes. Precisamos sim que os Senadores lutem pelo futuro e presente dos nossos filhos, e entre outras coisas, o acesso ao trabalho, ao lazer, à cultura, à informação, ao envelhecimento com dignidade, está diretamente relacionado com a educação inclusiva, que deve ser para alunos e alunas, com e sem deficiência e sem restrições, independente de classe, cultura,religião,orientação sexual,etnia,etc.

O AEE pode acontecer fora da escola regular e preferencialmente dentro dela, mas todas as crianças tem o direito inquestionável e indisponível à educação e a estudar e crescer com os seus pares com e sem deficiência dentro da classe comum da escola regular.

De fato, precisávamos mesmo de uma SEESP/MEC ativa, que trabalhasse direta e ativamente pela educação inclusiva de qualidade e de acordo com a nossa Lei maior. A construção da educação inclusiva depende do Governo, da sociedade civil, do apoio da classe política e precisa o quanto antes se transformar em política de Estado, e para isso pedimos o apoio do Senado Federal.

A FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE SÍNDROME DE DOWN manifesta a sua indignação com o pronunciamento do Senador Flávio Arns em um momento onde a Educação Inclusiva avança nesse país. A SEESP/MEC acompanha a sociedade brasileira em suas aspirações por uma educação para TODOS (AS) e atendendo as especificidades de cada deficiência, mas à parte disso, acreditamos que essa convivência é indispensável para que no futuro possamos usufruir de uma sociedade livre de preconceito e discriminação, onde pessoas com deficiência naturalmente estarão nas salas de aula e em todos os espaços da sociedade, como deve ser.

Treinamento prepara hotéis para recepcionar pessoas com Down

Na manhã desta quinta-feira (11/09), profissionais da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) reuniram alguns representantes da rede hoteleira da cidade para um treinamento especial. O encontro foi realizado no auditório da Associação Comercial de Londrina (Acil) e o principal objetivo do trabalho consiste em informar as equipes dos empreendimentos sobre como agir e abordar pessoas com síndrome de Down.

Na ocasião, estiveram presentes a diretora da APS DOWN, Ana Cássia Jorge Cestari, a psicóloga da Associação, Mariane Barusso e a assistente social, Neusa Hernandes Fernandes. Além dos hotéis conveniados Golden Blue Hotel Express, Cedro Hotel, Blue Tree Premium, Confort Suítes, Tomazi Hotel e LondriStar Hotel.

O propósito do curso é oferecer um bom atendimento a turistas e pessoas com síndrome de Down que participarão do “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down”. Para evitar o preconceito e constrangimentos a esse público foram fornecidas informações de como recepcionar essas pessoas. A grande surpresa dos participantes foi descobrir que o tratamento deve ser o mesmo dado aos outros hóspedes.

O treinamento foi realizado em parceria com o Londrina Convention e Visitors Bureau, que realiza atividades de estímulo ao turismo de eventos na cidade e região. Para o responsável e gestor de coordenação técnica das ações, Cristiano Feijó, o processo de inclusão social tem mudado a concepção dos hotéis quanto a novas atitudes. “Londrina vai ver que as pessoas com síndrome de Down não são diferentes. Este evento foi um divisor de águas. Muitos hotéis começam a perceber a importância da acessibilidade e adaptação”, comenta ele.

Durante o encontro foram apresentadas as principais causas e características da síndrome de Down. “Atrás da deficiência intelectual existe um ser humano com personalidade, potencial e gostos próprios” destaca Ana Cássia. “A síndrome de Down é um acidente genético e não escolhe idade, raça ou classe social” explica ela. Segundo a diretora, o principal fator do preconceito é a falta de esclarecimentos e informação.

Os representantes dos hotéis presentes participaram ativamente fazendo perguntas e tirando suas dúvidas. “Receba-os de forma natural. É importante tratar a pessoa com síndrome de Down a partir da idade cronológica que ela apresenta. Ou seja, se for um jovem deve ser tratado como um jovem”, explica Mariane ao questionada sobre as formas de abordagem. Para ela, as regras do estabelecimento devem ser respeitadas também pelas pessoas com deficiência. “Quando alguma regra interna do hotel não for cumprida devem ser chamadas às devidas atenções. Assim como é feito com um hóspede comum”, ressaltou a psicóloga.

Londrina sedia V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down

Caracterizado como um evento multidisciplinar, o “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down” tem como objetivo promover discussões, palestras e workshops para todas as áreas de interesse. O evento que acontece de quatro em quatro anos está em sua quinta edição e pela primeira vez não será sediado por uma capital estadual.

Durante os dias 24 à 27 de setembro de 2008, a Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), em parceria com a Associação Reviver Down de Curitiba e com o apoio da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), reunirá especialistas, profissionais e familiares no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down (CBSD), a ser realizado no Centro de Exposições e Eventos de Londrina.

Segundo a FBASD, cerca de oito mil bebês nascem por ano no Brasil com a síndrome. Conhecida como um atraso intelectual, a síndrome de Down é uma anomalia nos cromossomos, que ocorre em 1,3 de cada 1.000 nascimentos. A carência de informações sobre o assunto tem diminuído, pois a inclusão social destas pessoas é o que estimula a busca de maiores esclarecimentos. Cada vez mais a sociedade vem se conscientizando de como é importante valorizar a diversidade humana e de como é fundamental oferecer oportunidades para que as pessoas com deficiência exerçam seus direitos.

Com a expectativa de aproximadamente 1,5 mil participantes, o evento tem como objetivo promover a autonomia e a inclusão social das pessoas com síndrome de Down e discutir a conseqüente superação do preconceito e da discriminação ainda existentes. O Congresso, que acontece de quatro em quatro anos, está em sua quinta edição e propõe como tema este ano a “Síndrome de Down: Em busca da

Autonomia”, com o intuito de analisar o caminho para a autonomia das pessoas portadoras.

“A grande quantidade de pessoas sérias e realmente interessadas no assunto é o que motiva a realização deste conceituado evento”, ressalta a pedagoga e moderadora convidada para mesa-redonda com tema “Conquistas Inclusivas na Educação”, Vilma Mello, mãe de Vitória Rita Mello. Para ela, a participação de importantes profissionais com experiências na área, desperta o interesse de todos pela busca de informações e principalmente enriquece a troca de experiências.

A abertura oficial do CBSD acontece às 19h30 do dia 24 de setembro e conta com a participação de diversos convidados, palestrantes e autoridades públicas, entre eles: a secretária de Educação de Londrina, Carmen Lúcia Baccaro Sposti; a secretária de Saúde, Marlene Zucoli; a presidente da Aps

Down e presidente do evento, Elena Mulas Veronesi; o presidente da Reviver Down, Roberto Sekulic; a representante da secretaria de Educação Especial (MEC), Martinha Clarete Dutra; o representante das pessoas com síndrome de Down, Gregório Vicentini; o prefeito da cidade de Londrina, Nedson Micheleti; a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Télcia Lamonica de Azevedo Oliveira e muitos outros.

O Grupo de Teatro para Atores Especiais (GTPAÊ) finaliza a noite de inauguração do evento com a apresentação de uma peça teatral baseada no tema principal das atividades, “Em busca da Autonomia”. O projeto que foi criado em agosto de 1997, numa parceria da Universidade Estadual de Londrina e APAE desta cidade, é composto por um grupo de 12 jovens atores, entre eles os alunos da Aps Down, Gregório Vicentini e Ana Paula Tarozo. As apresentações artísticas ganham o nome de “

Momento Cultural” e acontecerão no fim das atividades de cada dia.

Durante todas as manhãs, serão realizados workshops (minicursos) com 2 horas de duração, abrangendo várias áreas temáticas. As conferências serão apresentadas por especialistas internacionais que demonstrarão seus projetos e conquistas, na área da síndrome de Down, realizados no exterior. Já na parte da tarde, as palestras simultâneas baseiam-se sempre em dois temas de interesse e serão apresentadas por grandes especialistas nacionais.

Entre os profissionais convidados encontra-se o ativista da inclusão e coordenador de um grupo de debate na Internet, Fábio Adiron, que terá participação na mesa-redonda sobre “Contribuições Institucionais”.Segundo ele “o grande desafio da inclusão é acabarmos com a sua necessidade. Ponto!”. Defensor de um ideal em que a sociedade que não precise mais ter secretarias especiais, Adiron acredita que “o desafio que temos para realmente termos uma sociedade que seja justa e acolhedora para todos, é o de construirmos outra sociedade, em que os valores humanos sejam mais importantes que o tamanho do saldo bancário ou as demonstrações de status, de posses e de poder”.

As discussões seguem durante as mesas-redondas que serão realizadas no decurso das tardes em dois horários alternativos. Os diversos debates realizados na ocasião serão palcos de discussões baseadas em cinco linhas temáticas: Relações Familiares, Aspectos Pedagógicos, Aspectos Terapêuticos e Clínicos, Políticas Públicas, Artes, Transição para vida adulta e Qualidade de Vida. No total somam 22 mesas-redondas, durante três dias do evento e divididas por área e faixa etária.

Por ser um encontro atípico, seu principal objetivo é reunir especialistas e principalmente pessoas com experiências para contar. Ou seja, não é fundamentalmente um Congresso acadêmico, onde

essencialmente é necessária a presença de só grandes mestres e doutores. A principal diretriz do evento é interagir pais, familiares, amigos, professores, terapeutas, especialistas, autoridades públicas e, claro, os próprios Down, para expressar suas potencialidades, contribuições, novos métodos e descobertas a fim de, cada vez mais, oportunizar a autonomia e qualidade de vida das pessoas com síndrome de Down.

Para a presidente do evento e também presidente da Aps Down, Elena Mulas Veronesi, a possibilidade de ter um encontro onde se reúnam todas as pessoas envolvidas com a Síndrome de Down, permite fortalecer as bases desse processo de inclusão. “Hoje, a grande parte dos pais acreditam que os filhos podem ter uma vida independente como todo mundo: estudar, trabalhar, casar. A participação das famílias, dos médicos, dos terapeutas, dos pedagogos é uma oportunidade única de troca de experiências”, comenta ela.

“Por que não Londrina?”

Pela primeira vez na história da trajetória do evento não será uma capital estadual que irá sediar as atividades. A primeira edição do CBSD foi realizada na cidade de São Paulo, em 1992. Em 1997 o II Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down ocorreu simultaneamente com o I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, em Brasília, com a participação de cerca de 2 mil pessoas. A terceira realização do evento foi sediada na cidade de Curitiba onde também aconteceu o I Encontro de Irmãos. A última edição do CBSD foi desenvolvida em Salvador, em 2004, com o tema “Família: A gente da inclusão”.

Eleitas por votação, as associações de cada região ligadas a FBASD que irão promover o Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, são analisadas quanto ao seu papel histórico de inclusão social e trabalhos realizados na área da síndrome de Down. A proposta de trazer o evento para a cidade surgiu de Elena Veronesi, participante assídua de todos os congressos anteriores. “Por que não Londrina?”, questiona ela.

Após sua candidatura lançada no ano de 2004, a Aps Down dentre a seleção de associações inscritas, no final do ano de 2007, conquistou a eleição por estar à frente, apresentando um trabalho de inclusão pedagógica diferenciado. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down nasceu de um projeto de extensão universitária desenvolvido pelo departamento de psicologia da Universidade Estadual de Londrina – UEL. Esse projeto teve a duração de quatro anos (1989 –1993) e prestava atendimento às pessoas com a Síndrome de Down nas áreas de Fisioterapia, Fonoaudióloga, e Psicologia.

Atualmente a associação atende cerca de 130 alunos, entre crianças, adolescentes e adultos. Contando com mais de 70 crianças incluídas em escolas de ensino regular, a equipe pedagógica acompanha o desenvolvimento dos alunos em visitas às instituições e reuniões com os professores. Além disso, é o único centro de educação especial que mantêm diariamente uma creche municipal.

O Paraná encontra-se num processo intenso de adequação do ensino especial, principalmente na rede regular. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente na região sul, mais de 3,5 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência Cerca de 21 mil escolas fazem parte do projeto de inclusão social, com mais de 1,5 milhão de alunos integrados na rede.

A construção de um projeto político pedagógico, a quebra das barreiras atitudinais e arquitetônicas, a formação continuada de professores e profissionais da educação e as atividades realizadas nos centros de apoio são os aspectos principais deste processo de desenvolvimento da inclusão no estado.

II Encontro de Irmãos

Paralelamente ao Congresso será realizado o II Encontro de Irmãos, onde os filhos terão atividades diferentes de arte e jogos. Este evento pioneiro aconteceu na cidade de Curitiba, no ano de 2000, favorecendo a convivência de pessoas com Síndrome de Down e seus irmãos, professores, oficineiros, jovens voluntários e artistas, totalizando 296 participantes, e oferecendo a possibilidade de novas experiências.

Na ocasião deste ano, serão realizadas oficinas e atividades de recreação divididas por faixa etária. Durante os dias do evento, os ônibus terão saídas marcadas no Centro de Exposições e Eventos às 8:00 horas e a chegada no mesmo local, às 18:00 horas.

As Inscrições no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down podem ser feitas a partir do dia 18 de agosto de 2008, através do formulário de inscrição disponível no site da Aps Down (www.apsdown.com.br). Dúvida e informações: (43) 3328-8785, ou pelo e-mail: congresso@apsdown.com.br.