• foto_mi

    Camilla Sartorato é a responsavel por este blog. É jornalista e reside em Londrina/PR.Atualmente trabalha na Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), prestando serviços de Assessoria de Imprensa. Além disso, fez parte da Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado setembro de 2008 em Londrina. Contato: camillasbr@hotmail.com

  • Blog Stats

    • 260,546 acessos

Encontro de Educação Inclusiva: alunos com síndrome de Down

O Encontro de Formação para Educação Inclusiva – alunos com síndrome de Down, realizado em Brasília, durante os dias 09 e 10, teve como objetivo discutir os principais conceitos e objetivos da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, além de ter sido uma importante oportunidade para a troca de experiências, entre todos os presentes, no que tange a área da educação.

Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa). Representantes da Aps-Down Londrina

Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa). Representantes da Aps-Down Londrina

O evento realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e organizado pela Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), reuniu representantes das instituições filiadas e convidados. A Aps-Down, como percussora, na região do Paraná, das práticas relacionadas à educação especial e inclusão escolar, participou ativamente do encontro através da presença de Elena Veronesi (Presidente) e Camilla Sartorato (Assessoria de Imprensa).

No decorrer das atividades foram abordadas as diretrizes do programa de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que consiste na promoção de acesso aos sistemas de ensino, englobando como público alvo os alunos com deficiência (física, sensorial e intelectual), transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (ou super-dotação). Em geral, debateu-se, prioritariamente, o direito que todo cidadão possui de ter acesso irrestrito à educação regular com o apoio necessário. Tal direito é inquestionável, contudo, não basta ser legal e legítimo: deve ser efetivo.

Outro marco importante do evento foi a comemoração de um ano de ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Nesta ocasião, todos os grupos, movimentos e associações presentes assinaram uma carta de compromisso, na qual a participação em futuros Seminários e Conferências, é imprescindível para reciclar, inovar e aprimorar as práticas inclusivas. Durante esta mesma cerimônia foi divulgada a campanha da Acessibilidade do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência (CONADE). A adesão ao projeto foi realizada por 39 associações e 4 instituições presentes.

Adesão à Campanha Acessibilidade. Presença de Associações, Grupos e Movimentos Sociais.

Adesão à Campanha Acessibilidade. Presença de Associações, Grupos e Movimentos Sociais.

No segundo dia do encontro, durante a apresentação da Mesa com as Associações: Experiências em Educação Inclusiva, Elena explicou as principais atividades desenvolvidas pela Aps-Down, que possui aproximadamente 60 alunos inseridos no ensino comum. A presidente também esclareceu que a equipe pedagógica da instituição promove visitas periódicas às escolas com o intuito de acompanhar o desenvolvimento de cada aluno e orientar os professores. Além disso, os profissionais da área terapêutica também participam da inclusão escolar oferecendo palestras e cursos aos docentes.

Elena Veronesi (Aps-Down) - Mesa com as Associações: Experiência em Educação Inclusiva

Elena Veronesi (Aps-Down) - Mesa com as Associações: Experiência em Educação Inclusiva

Estímulo motor deve começar cedo

flavia parte 11

“O trabalho fisioterapeutico na faixa etária de 0 a 4 anos” foi o tema de um dos oito minicursos que realizados durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, no Centro de Exposições e Eventos de Londrina (Ceel). As atividades do curso foram comandadas pela fisioterapeuta londrinense Isabel Cristina Vicente de Rezende.

De acordo com a fisioterapeuta da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), Flávia Garcia, a fisioterapia com crianças com a síndrome tem o objetivo de fazer com elas tenham melhor coordenação motora e se desenvolver normalmente. “O estímulo motor visa aproxima-lo o máximo possível do típico”, explicou Flávia.

Segundo ela, o início da vida da criança com síndrome de down é o período em que deve haver o maior estímulo sensorial, pois é, conforme Flávia, a fase de maior aprendizado da criança. “É quando a estimulação é essencial, já que é a principal fase de aprendizado neurológico. Se ela adquire nessa idade a postura e movimentos adequados, terá mais facilidade para manter depois”, comentou.

Além disso, há métodos e conceitos específicos de tratamento para as pessoas com a síndrome. Flávia observou que o fisioterapeuta deve ter amplo conhecimento destes conceitos para que desenvolva um trabalho de qualidade. “É muito importante que o profissional tenha conhecimento de biomecânica e anatomia e associe métodos, técnicas e conceitos para ter bom resultado.”

A fisioterapeuta explicou que, normalmente, as crianças que nascem com down tem as articulações e ligamentos mais frágeis, o que obriga todas a se submeteram à fisioterapia. “São características que obrigam a criança fazer fisioterapia.” No entanto, conforme Flávia, estas crianças se desenvolvem por completo, desde que façam corretamente os exercícios. “A criança com down tem completas condições de alcançar todas as etapas de desenvolvimento, ela só demora um pouco mais que as outras”, ressaltou Flávia.

Pessoas com down praticam karatê

 

Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. O esporte se baseia em uma arte científica, fazendo o uso de todas as partes do corpo para a auto-defesa. O grande objetivo do karatê é a perfeição do caráter através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo.

v-congresso-brasileiro-sobre-sindrome-de-down-038

Em Londrina, a prática do karatê vem melhorando a qualidade de vida de crianças e jovens com síndrome de down. O projeto de extensão “Síndrome de Down – Arte e Vida em Movimento com o Karatê” teve início no ano de 1999, com a proposta de receber crianças com síndrome de down nas instalações da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Desde então, as atividades realizadas atendem cerca de 110 alunos.

O trabalho, idealizado pelo professor de Educação Física e especialista em Educação Especial Mário Molari, recebe alunos de diversas instituições de Londrina e região. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down) foi a primeira associação parceira do projeto. Quando estabelecido o apoio, em 1999, cerca de 10 alunos, entre crianças, jovens e adultos participavam das atividades. Atualmente, a APS Down conta com duas aulas práticas por semana em que mais de 30 alunos praticam o Karatê, supervisionados por professores e estagiários do curso de educação física.

 “O objetivo, além de melhorar a qualidade de vida dos alunos, é qualificar estagiários de educação física e mostrá-los uma outra realidade, além desenvolver atividades motoras necessárias ao down”, afirmou o coordenador do projeto, Mário Molari.

O conteúdo das aulas é organizado sobre a plataforma de duas matérias do karatê: o kata e o kihon. Kata são exercícios formais que desenvolvem o corpo e a mente através de formas, modelos, desenhos, executados de maneira encadeada e pré-determinada por linhas gráficas denominadas “embusem” e que seguem um ponto político e histórico de cada mestre. O kihon é o conjunto das técnicas que compõem o kata. Podem ser praticadas individualmente ou em conjunto. O kihon é a forma do movimento em si só, ou seja, são as bases, as defesas e os ataques. “No kata, os alunos fazem os movimentos e têm de voltar ao mesmo lugar de onde começaram, tendo noção de espaço”, explicou Molari.

De acordo o professor, o karatê trouxe inúmeros benefícios aos alunos, como concentração, postura, trabalho em equipe, força muscular, melhoria de aspectos neuromotores, esquema corporal, velocidade de reação, noção de espaço e ritmo. “O esporte serve também como inclusão social. Por exemplo, os que praticam esporte vão melhor na escola, principalmente, nas aulas de educação física”, afirmou.

Serviço

As pessoas que têm filhos com síndrome de down, de qualquer idade e que estiverem interessados no projeto, bastam comparecer a qualquer um dos locais onde são dadas as aulas de karatê e inscreverem os filhos. Os locais são a APS Down, na rua Plutão, nº 245, jardim do Sol; no Centro Ocupacional de Londrina (COL), na rua Açucenas, nº 100, jardim Colina Verde; na Unopar, no campus da avenida Paris, nº 675, jardim Piza; e nas Apaes de Rolândia e Arapongas. As aulas são gratuitas.

Jovens participaram ativamente de Congresso Down

Durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado nos dias 24 a 27 de setembro, cerca de 20 jovens com idade entre 16 e 25 anos trabalharam integralmente no evento. Exercendo atividades práticas, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), forneceram informações e orientações aos participantes, além de moderar debates e palestras.

Participantes receberam remuneração

Participantes receberam remuneração

Para a terapeuta ocupacional da APS Down, Denise Lopes Gomes, o principal objetivo é que estes jovens tenham uma participação ativa no Congresso. “Trabalhando assim também se sentirão importantes”, afirma ela.  “Eles participaram em moderação das mesas-redondas, entrega de bolsas e crachás, anúncio de palestras, guias durante o evento, entre outras atividades”, conta a terapeuta.

Após o evento, os alunos se reuniram na sede da Associação para entrega solene dos certificados de participação no Congresso e remuneração dos dias trabalhados. Segundo Ana Cássia Jorge Cestari, diretora pedagógica da APS DOWN, este é um momento de muita importância e de responsabilidade. “Com esse dinheiro os alunos ganham auto-estima e realização profissional. Todos que trabalharam no evento sabiam do compromisso que deveriam ter e sentiram-se úteis. A gratificação foi uma conseqüência deste momento de responsabilidade”, conta ela.

Além disso, a família teve um papel importante de estimulo e incentivo. “Muitos adolescentes e jovens espelham-se nos próprios pais. A iniciativa trouxe à tona aspectos de inclusão na sociedade. Por exemplo, a figura paterna que recebe o salário todo fim de mês fica mais próxima e acessível”, explica Ana Cássia.

Espaço Berçario - "Cuidar de crianças exige atenção"

Espaço Berçario -

“Foi muito interessante trabalhar no Congresso”, afirma Viviane Rodrigues Borges, 21, que auxiliou o berçário montado durante o evento. “Aprendi a cuidar dos bebês e vi como é bom dar atenção a eles. Me senti muito importante trabalhando”, conta ela. Depois de receber o salário, Viviane pretender comprar roupas e bijuterias. “Vou usar o dinheiro para comprar coisas para mim. Sou vaidosa”, ressalta.