• foto_mi

    Camilla Sartorato é a responsavel por este blog. É jornalista e reside em Londrina/PR.Atualmente trabalha na Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), prestando serviços de Assessoria de Imprensa. Além disso, fez parte da Comissão Organizadora do V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado setembro de 2008 em Londrina. Contato: camillasbr@hotmail.com

  • Blog Stats

    • 265,114 acessos

Estímulo motor deve começar cedo

flavia parte 11

“O trabalho fisioterapeutico na faixa etária de 0 a 4 anos” foi o tema de um dos oito minicursos que realizados durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, no Centro de Exposições e Eventos de Londrina (Ceel). As atividades do curso foram comandadas pela fisioterapeuta londrinense Isabel Cristina Vicente de Rezende.

De acordo com a fisioterapeuta da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), Flávia Garcia, a fisioterapia com crianças com a síndrome tem o objetivo de fazer com elas tenham melhor coordenação motora e se desenvolver normalmente. “O estímulo motor visa aproxima-lo o máximo possível do típico”, explicou Flávia.

Segundo ela, o início da vida da criança com síndrome de down é o período em que deve haver o maior estímulo sensorial, pois é, conforme Flávia, a fase de maior aprendizado da criança. “É quando a estimulação é essencial, já que é a principal fase de aprendizado neurológico. Se ela adquire nessa idade a postura e movimentos adequados, terá mais facilidade para manter depois”, comentou.

Além disso, há métodos e conceitos específicos de tratamento para as pessoas com a síndrome. Flávia observou que o fisioterapeuta deve ter amplo conhecimento destes conceitos para que desenvolva um trabalho de qualidade. “É muito importante que o profissional tenha conhecimento de biomecânica e anatomia e associe métodos, técnicas e conceitos para ter bom resultado.”

A fisioterapeuta explicou que, normalmente, as crianças que nascem com down tem as articulações e ligamentos mais frágeis, o que obriga todas a se submeteram à fisioterapia. “São características que obrigam a criança fazer fisioterapia.” No entanto, conforme Flávia, estas crianças se desenvolvem por completo, desde que façam corretamente os exercícios. “A criança com down tem completas condições de alcançar todas as etapas de desenvolvimento, ela só demora um pouco mais que as outras”, ressaltou Flávia.

Anúncios

Pessoas com down praticam karatê

 

Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. O esporte se baseia em uma arte científica, fazendo o uso de todas as partes do corpo para a auto-defesa. O grande objetivo do karatê é a perfeição do caráter através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo.

v-congresso-brasileiro-sobre-sindrome-de-down-038

Em Londrina, a prática do karatê vem melhorando a qualidade de vida de crianças e jovens com síndrome de down. O projeto de extensão “Síndrome de Down – Arte e Vida em Movimento com o Karatê” teve início no ano de 1999, com a proposta de receber crianças com síndrome de down nas instalações da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Desde então, as atividades realizadas atendem cerca de 110 alunos.

O trabalho, idealizado pelo professor de Educação Física e especialista em Educação Especial Mário Molari, recebe alunos de diversas instituições de Londrina e região. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down) foi a primeira associação parceira do projeto. Quando estabelecido o apoio, em 1999, cerca de 10 alunos, entre crianças, jovens e adultos participavam das atividades. Atualmente, a APS Down conta com duas aulas práticas por semana em que mais de 30 alunos praticam o Karatê, supervisionados por professores e estagiários do curso de educação física.

 “O objetivo, além de melhorar a qualidade de vida dos alunos, é qualificar estagiários de educação física e mostrá-los uma outra realidade, além desenvolver atividades motoras necessárias ao down”, afirmou o coordenador do projeto, Mário Molari.

O conteúdo das aulas é organizado sobre a plataforma de duas matérias do karatê: o kata e o kihon. Kata são exercícios formais que desenvolvem o corpo e a mente através de formas, modelos, desenhos, executados de maneira encadeada e pré-determinada por linhas gráficas denominadas “embusem” e que seguem um ponto político e histórico de cada mestre. O kihon é o conjunto das técnicas que compõem o kata. Podem ser praticadas individualmente ou em conjunto. O kihon é a forma do movimento em si só, ou seja, são as bases, as defesas e os ataques. “No kata, os alunos fazem os movimentos e têm de voltar ao mesmo lugar de onde começaram, tendo noção de espaço”, explicou Molari.

De acordo o professor, o karatê trouxe inúmeros benefícios aos alunos, como concentração, postura, trabalho em equipe, força muscular, melhoria de aspectos neuromotores, esquema corporal, velocidade de reação, noção de espaço e ritmo. “O esporte serve também como inclusão social. Por exemplo, os que praticam esporte vão melhor na escola, principalmente, nas aulas de educação física”, afirmou.

Serviço

As pessoas que têm filhos com síndrome de down, de qualquer idade e que estiverem interessados no projeto, bastam comparecer a qualquer um dos locais onde são dadas as aulas de karatê e inscreverem os filhos. Os locais são a APS Down, na rua Plutão, nº 245, jardim do Sol; no Centro Ocupacional de Londrina (COL), na rua Açucenas, nº 100, jardim Colina Verde; na Unopar, no campus da avenida Paris, nº 675, jardim Piza; e nas Apaes de Rolândia e Arapongas. As aulas são gratuitas.

Jovens participaram ativamente de Congresso Down

Durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado nos dias 24 a 27 de setembro, cerca de 20 jovens com idade entre 16 e 25 anos trabalharam integralmente no evento. Exercendo atividades práticas, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), forneceram informações e orientações aos participantes, além de moderar debates e palestras.

Participantes receberam remuneração

Participantes receberam remuneração

Para a terapeuta ocupacional da APS Down, Denise Lopes Gomes, o principal objetivo é que estes jovens tenham uma participação ativa no Congresso. “Trabalhando assim também se sentirão importantes”, afirma ela.  “Eles participaram em moderação das mesas-redondas, entrega de bolsas e crachás, anúncio de palestras, guias durante o evento, entre outras atividades”, conta a terapeuta.

Após o evento, os alunos se reuniram na sede da Associação para entrega solene dos certificados de participação no Congresso e remuneração dos dias trabalhados. Segundo Ana Cássia Jorge Cestari, diretora pedagógica da APS DOWN, este é um momento de muita importância e de responsabilidade. “Com esse dinheiro os alunos ganham auto-estima e realização profissional. Todos que trabalharam no evento sabiam do compromisso que deveriam ter e sentiram-se úteis. A gratificação foi uma conseqüência deste momento de responsabilidade”, conta ela.

Além disso, a família teve um papel importante de estimulo e incentivo. “Muitos adolescentes e jovens espelham-se nos próprios pais. A iniciativa trouxe à tona aspectos de inclusão na sociedade. Por exemplo, a figura paterna que recebe o salário todo fim de mês fica mais próxima e acessível”, explica Ana Cássia.

Espaço Berçario - "Cuidar de crianças exige atenção"

Espaço Berçario -

“Foi muito interessante trabalhar no Congresso”, afirma Viviane Rodrigues Borges, 21, que auxiliou o berçário montado durante o evento. “Aprendi a cuidar dos bebês e vi como é bom dar atenção a eles. Me senti muito importante trabalhando”, conta ela. Depois de receber o salário, Viviane pretender comprar roupas e bijuterias. “Vou usar o dinheiro para comprar coisas para mim. Sou vaidosa”, ressalta.

Festa lança a primeira Associação de apoio jurídico às Instituições Filantrópicas

 

 

Solenidade de Lançamento da ABAJIF

Solenidade de Lançamento da ABAJIF

A festa de lançamento da Associação Brasileira de Apoio Jurídico à Instituições Filantrópicas (ABAJIF), foi realizada ontem (22) no Empório Guimarães e marcou o início das atividades a serem realizadas pela entidade. Cerca de 250 pessoas estiveram presentes na ocasião, desde autoridades públicas, representantes das instituições filiadas e convidados.

Por meio de uma iniciativa de Bruno Valverde Chahaira, aluno de graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica – (PUCPR Londrina), a ABAJIF desponta como uma forte aliada das entidades que prestam serviços à sociedade.

A partir do Projeto Comunitário da universidade, percebeu-se a carência dessas instituições no que refere-se ao apoio de que necessitam para a resolução de questões jurídicas, das mais variadas naturezas. “Em todas as áreas de conhecimento é possível contribuir e oferecer algo. Espero que a criação desta associação seja uma importante alavanca de incentivo a todos nós”, lembra o presidente durante o evento.

 

Matheus Dalla Corte e Marcela, na passarela

Matheus Dalla Corte e Marcela, na passarela

Na ocasião foram empossados os membros que fazem parte da estrutura de organização da associação. Após a solenidade de lançamento, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), participaram de um desfile de moda infanto-juvenil, acompanhados por irmãos, pais e profissionais da instituição. Sendo a primeira e principal entidade proponente desta empreitada, a APS DOWN, foi eleita beneficiada pela festa de confraternização e terá toda renda revertida ao investimento de suas atividades.

Autonomia e Mercado de Trabalho para Down’s

“O trabalho dignifica o homem”, pouco ou nada se sabe sobre o verdadeiro autor dessa frase. Porém, sua máxima permanece como exemplo da sociedade capitalista em que vivemos. Segundo o dicionário Aurélio, dignificar significa “tornar digno, honrar”, digno significa “merecedor”, e honrar significa “respeitar”.

 ________________________

Texto: Camilla Sartorato e Bruno Almeida | Foto: Roberto Ortega

 

Se pensarmos a lógica da frase, o resultado será que todo homem deve trabalhar para ser merecedor de respeito no meio em que vive. O “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down”, realizado em Londrina de 24 a 27 de setembro, discutiu o seguinte tema: “Síndrome de Down: Em busca da Autonomia”.

Entre as discussões promovidas no evento, permeou-se a qualificação da pessoa com síndrome de Down para ocupar vagas de emprego no mercado de trabalho. E também os benefícios que esse tipo de inclusão traz a essas pessoas, suas famílias, a empresa contratante e seus funcionários.

Muitos são os bons exemplos de empregabilidade de pessoas com diversos tipos de deficiência, entre as empresas no Brasil e no mundo. Cada vez mais preocupadas em cumprir com sua responsabilidade social e muitas vezes obrigadas, através de leis cotistas que garantam o ingresso, acesso e permanência dessas pessoas no mercado de trabalho.

A empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que nunca antes havia tido uma pessoa com Síndrome de Down no seu quadro de empregados, está surpresa com a capacidade e potencial de sua mais nova funcionária. No cargo de auxiliar administrativo, Ana Paula Tarozo, 25 anos, após 90 dias de experiência foi efetivada na empresa pelo seu desempenho e competência. Segundo ela, as atividades são fáceis e seus colegas de trabalho muito divertidos. “Eu posso fazer muitas coisas, saio, danço, trabalho e faço teatro. Eu sou poderosa!”, afirma.

“Ela se desenvolveu muito rápido”, conta-nos Maria Luiza Martins, encarregada do setor de recursos humanos da TCGL. “Em menos de um mês já tinha decorado o nome de todas as pessoas dos vários setores em que ela transita aqui. Isso nos surpreendeu muito, esperávamos por uma pessoa cheia de limitações, que fosse mais dependente e isso não aconteceu. A nossa dificuldade inicial foi a forma de tratá-la, mas descobrimos com o tempo e o convívio, que o tratamento deve ser igual”. Segundo a responsável pela contratação de funcionários, Ana Paula é benquista entre os colegas de trabalho, pois todos a adoram por ser muito simpática.

“Há alguns anos a Grande Londrina mantém em seu quadro de funcionários pessoas com diversos tipos de deficiência. No entanto, Ana Paula é a primeira pessoa com deficiência intelectual”. Maria Luiza admite que a empresa ainda não atingiu o índice ideal de vagas para pessoas com deficiência, como determina a lei de cotas. Porém, é de interesse da empresa disponibilizar cada vez mais vagas. “A contratação da Ana Paula veio de encontro a um desejo nosso – corporativo – de ter alguém na condição dela”.

Para Odeth Tarozo, mãe da mais nova empregada, o trabalho trouxe á tona a responsabilidade. “Ana Paula hoje se comporta de outra maneira dentro de casa. Percebo sua felicidade e satisfação em estar trabalhando. Ela sabe das responsabilidades que tem na empresa e sempre quer aprender e fazer algo novo. Não preciso nem acordá-la mais, ela já se levanta sozinha toda manhã para trabalhar”, conta. Segundo ela é preciso ressaltar a importância da participação da família nesta nova empreitada.

“A família é a base de tudo. Desde pequena, Ana Paula é estimulada. Quando ela nasceu decidi criá-la para o mundo, pois a pessoa com síndrome de Down tem capacidade de realizar várias atividades”.

Todas essas ações tentam através de seus mecanismos realizar a inclusão da pessoa com deficiência. No entanto, permanece ainda estigmatizado – em maior proporção – o preconceito contra a pessoa com deficiência intelectual. Barreiras que interferem significativamente no processo de desenvolvimento de autonomia dessas pessoas.

“Temos que enfrentar o preconceito de cabeça erguida”. É o que nos afirma Gregório José Viventini, 26 anos, empregado há mais de 5 anos em uma lanchonete da cidade. Estimulado desde a infância, Gregório mantém uma vida comum, e muitas vezes corrida. Sendo um exemplo de autonomia e independência, ele estuda, pratica esportes, faz aulas de teatro e sai para se divertir. Namorando há quase dois meses com Viviane Rodrigues Borges, 21, Gregório já pensa em uma relação mais estável. “Estamos namorando por enquanto, eu quero casar, mas não agora”.

 

Congresso sobre síndrome de Down foi um verdadeiro sucesso

O V CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE SÍNDROME DE DOWN, realizado de 24 a 27 de setembro, em Londrina/PR, foi um dos mais significativos eventos realizados na área da Síndrome de Down em nosso país, superando todas as expectativas e objetivos esperados. Foi, sem dúvida alguma, um marco norteador para as futuras ações nesta importante temática da inclusão social, contribuindo para os avanços desejados.

Profissionais, amigos e familiares de todas as regiões brasileiras contribuíram com as discussões geradas neste Congresso. Foram dias proveitosos que marcaram definitivamente os organizadores, seja pelo nível técnico dos assuntos abordados, seja pela adesão e comprometimento demonstrados pelos participantes. Se por um lado esse evento teve o poder de mobilizar e coroar todo um trabalho já desenvolvido pela

Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), por outro indicou novas perspectivas e rumos com uma precisa contribuição para o aperfeiçoamento pessoal e profissional de mais de 800 pessoas.

Pesquisa identifica capacidades motoras de downs

Avaliação foi realizada em outubro do ano passado com 11 alunos do Ilece com idades entre 14 e 30 que não foram submetidas à estimulação precoce
__________________________________

Texto e Foto: Danilo Felipe

Um artigo acadêmico produzido em outubro do ano passado pela professora de Educação Física Michele Andréa Piquina, avaliou as capacidades motoras de pessoas com síndrome de down, estudantes do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), que não tiveram a estimulação precoce no início da vida. Os resultados mostraram que, nestes casos, a idade motora dos avaliados foi inferior ao que era esperado.

De acordo com Andréa, que apresentou, neste sábado (dia 27), seu trabalho no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, foram avaliados 11 alunos com idades entre 14 e 30 anos. “O objetivo foi identificar as idades motoras de cada pessoa com a síndrome para poder preparar aulas e atividades específicas para cada um”, explicou a professora.

Durante a apresentação do trabalho, ela mostrou os resultados obtidos da avaliação de dois dos alunos, uma menina de 17 anos e um jovem de 21. Em ambos os casos, as idades motoras foram iguais a 4 anos e 3 meses. “É uma característica da síndrome de down um certo atraso no desenvolvimento. Se a pessoa não passa pela estimulação nos primeiros anos de vida, é pior ainda”, analisou.

No entanto, de acordo com Andréa, este quadro vem mudando. “As pessoas avaliadas na pesquisa nasceram em épocas em que a estimulação precoce não era tão divulgada. Hoje em dia, praticamente todas as crianças fazem a fisioterapia corretamente. A mãe já sabe se criança tem síndrome de down no segundo mês de gestação, por isso, ela já vai se preparando para o tratamento do bebê”, ressaltou.

Esse é o tema da próxima pesquisa que a professora vai desenvolver. Conforme ela, a nova pesquisa vai avaliar crianças de 5 a 10 anos de idade que foram submetidas à estimulação essencial na primeira fase da vida. “O objetivo com estas pesquisas é desenvolver a autonomia motora e cognitiva do indivíduo com síndrome de down. Se isso for trabalhado precocemente, a pessoa com a síndrome vai poder desenvolver as características motoras, assim como uma pessoa que não tem down.”