Incluindo a Inclusão

A prática adquirida no Magistério ao longo desses anos, despertou minha consciência no que se refere à compreensão de que o ambiente escolar é um espaço vital para o crescimento e o desenvolvimento dos estudantes e dos educadores. Nele acontecem interações processuais que alteram o estado inicial tanto de uns, quanto de outros. E é talvez nesse momento que se percebe a relevância da inclusão que antes de mais nada, oportuniza esse processo interacional fazendo valer o direito dos alunos “especiais”.

Colegas de classe auxiliam Rita (deficiente visual) com as atividades. Foto: Roberto Ortega

Colegas de classe auxiliam Rita (deficiente visual) com as atividades. Foto: Roberto Ortega

Sabemos que cairá sobre o, já castigado, professor a tarefa de desenvolver adequadamente esse aluno. É certo que capacidade todos os nossos professores possuem, mas não será justo que apenas ele “se vire nos trinta”. È de responsabilidade da instituição, seja ela pública ou privada, gerenciar e assessorar o professor, efetivando o processo ensino-aprendizagem.

A inclusão necessita ser realizada, mas não pode simplesmente acontecer sem que antes ocorra adequação de espaço físico, recursos necessários e principalmente, profissionais específicos para o trabalho. Não é novidade para ninguém a realidade constada no ensino público que superlota as nossas salas de aula. Imagine então como um deficiente visual conseguiria familiarizar-se com uma sala que faz tropeçar os que bem enxergam.

Claro que quero acreditar que com a inclusão todos possam ganhar, mas me preocupa pensar se terei como acomodar adequadamente um cadeirante, se minha escola possui três pavimentos, sem elevador, com salas ambientes que promovem a troca de alunos. E quando a próxima aula for no andar de cima? O que fazer? É…! Essa é apenas uma das minhas muitas indagações.

Se vou aceitar a inclusão?? É claro! Afinal sou professora…

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Autor: Rose Ramos

Professora de Língua Portuguesa e especialista em Educação Especial

Dez.2007 | Londrina – PR

Estímulo motor deve começar cedo

flavia parte 11

“O trabalho fisioterapeutico na faixa etária de 0 a 4 anos” foi o tema de um dos oito minicursos que realizados durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, no Centro de Exposições e Eventos de Londrina (Ceel). As atividades do curso foram comandadas pela fisioterapeuta londrinense Isabel Cristina Vicente de Rezende.

De acordo com a fisioterapeuta da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), Flávia Garcia, a fisioterapia com crianças com a síndrome tem o objetivo de fazer com elas tenham melhor coordenação motora e se desenvolver normalmente. “O estímulo motor visa aproxima-lo o máximo possível do típico”, explicou Flávia.

Segundo ela, o início da vida da criança com síndrome de down é o período em que deve haver o maior estímulo sensorial, pois é, conforme Flávia, a fase de maior aprendizado da criança. “É quando a estimulação é essencial, já que é a principal fase de aprendizado neurológico. Se ela adquire nessa idade a postura e movimentos adequados, terá mais facilidade para manter depois”, comentou.

Além disso, há métodos e conceitos específicos de tratamento para as pessoas com a síndrome. Flávia observou que o fisioterapeuta deve ter amplo conhecimento destes conceitos para que desenvolva um trabalho de qualidade. “É muito importante que o profissional tenha conhecimento de biomecânica e anatomia e associe métodos, técnicas e conceitos para ter bom resultado.”

A fisioterapeuta explicou que, normalmente, as crianças que nascem com down tem as articulações e ligamentos mais frágeis, o que obriga todas a se submeteram à fisioterapia. “São características que obrigam a criança fazer fisioterapia.” No entanto, conforme Flávia, estas crianças se desenvolvem por completo, desde que façam corretamente os exercícios. “A criança com down tem completas condições de alcançar todas as etapas de desenvolvimento, ela só demora um pouco mais que as outras”, ressaltou Flávia.

Pessoas com down praticam karatê

 

Karatê é uma palavra japonesa que significa “mãos vazias”. O esporte se baseia em uma arte científica, fazendo o uso de todas as partes do corpo para a auto-defesa. O grande objetivo do karatê é a perfeição do caráter através de árduo treinamento e rigorosa disciplina da mente e do corpo.

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Em Londrina, a prática do karatê vem melhorando a qualidade de vida de crianças e jovens com síndrome de down. O projeto de extensão “Síndrome de Down – Arte e Vida em Movimento com o Karatê” teve início no ano de 1999, com a proposta de receber crianças com síndrome de down nas instalações da Universidade Norte do Paraná (Unopar). Desde então, as atividades realizadas atendem cerca de 110 alunos.

O trabalho, idealizado pelo professor de Educação Física e especialista em Educação Especial Mário Molari, recebe alunos de diversas instituições de Londrina e região. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down) foi a primeira associação parceira do projeto. Quando estabelecido o apoio, em 1999, cerca de 10 alunos, entre crianças, jovens e adultos participavam das atividades. Atualmente, a APS Down conta com duas aulas práticas por semana em que mais de 30 alunos praticam o Karatê, supervisionados por professores e estagiários do curso de educação física.

 ”O objetivo, além de melhorar a qualidade de vida dos alunos, é qualificar estagiários de educação física e mostrá-los uma outra realidade, além desenvolver atividades motoras necessárias ao down”, afirmou o coordenador do projeto, Mário Molari.

O conteúdo das aulas é organizado sobre a plataforma de duas matérias do karatê: o kata e o kihon. Kata são exercícios formais que desenvolvem o corpo e a mente através de formas, modelos, desenhos, executados de maneira encadeada e pré-determinada por linhas gráficas denominadas “embusem” e que seguem um ponto político e histórico de cada mestre. O kihon é o conjunto das técnicas que compõem o kata. Podem ser praticadas individualmente ou em conjunto. O kihon é a forma do movimento em si só, ou seja, são as bases, as defesas e os ataques. “No kata, os alunos fazem os movimentos e têm de voltar ao mesmo lugar de onde começaram, tendo noção de espaço”, explicou Molari.

De acordo o professor, o karatê trouxe inúmeros benefícios aos alunos, como concentração, postura, trabalho em equipe, força muscular, melhoria de aspectos neuromotores, esquema corporal, velocidade de reação, noção de espaço e ritmo. “O esporte serve também como inclusão social. Por exemplo, os que praticam esporte vão melhor na escola, principalmente, nas aulas de educação física”, afirmou.

Serviço

As pessoas que têm filhos com síndrome de down, de qualquer idade e que estiverem interessados no projeto, bastam comparecer a qualquer um dos locais onde são dadas as aulas de karatê e inscreverem os filhos. Os locais são a APS Down, na rua Plutão, nº 245, jardim do Sol; no Centro Ocupacional de Londrina (COL), na rua Açucenas, nº 100, jardim Colina Verde; na Unopar, no campus da avenida Paris, nº 675, jardim Piza; e nas Apaes de Rolândia e Arapongas. As aulas são gratuitas.

Jovens participaram ativamente de Congresso Down

Durante o V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, realizado nos dias 24 a 27 de setembro, cerca de 20 jovens com idade entre 16 e 25 anos trabalharam integralmente no evento. Exercendo atividades práticas, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) e do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), forneceram informações e orientações aos participantes, além de moderar debates e palestras.

Participantes receberam remuneração

Participantes receberam remuneração

Para a terapeuta ocupacional da APS Down, Denise Lopes Gomes, o principal objetivo é que estes jovens tenham uma participação ativa no Congresso. “Trabalhando assim também se sentirão importantes”, afirma ela.  “Eles participaram em moderação das mesas-redondas, entrega de bolsas e crachás, anúncio de palestras, guias durante o evento, entre outras atividades”, conta a terapeuta.

Após o evento, os alunos se reuniram na sede da Associação para entrega solene dos certificados de participação no Congresso e remuneração dos dias trabalhados. Segundo Ana Cássia Jorge Cestari, diretora pedagógica da APS DOWN, este é um momento de muita importância e de responsabilidade. “Com esse dinheiro os alunos ganham auto-estima e realização profissional. Todos que trabalharam no evento sabiam do compromisso que deveriam ter e sentiram-se úteis. A gratificação foi uma conseqüência deste momento de responsabilidade”, conta ela.

Além disso, a família teve um papel importante de estimulo e incentivo. “Muitos adolescentes e jovens espelham-se nos próprios pais. A iniciativa trouxe à tona aspectos de inclusão na sociedade. Por exemplo, a figura paterna que recebe o salário todo fim de mês fica mais próxima e acessível”, explica Ana Cássia.

Espaço Berçario - "Cuidar de crianças exige atenção"

Espaço Berçario -

“Foi muito interessante trabalhar no Congresso”, afirma Viviane Rodrigues Borges, 21, que auxiliou o berçário montado durante o evento. “Aprendi a cuidar dos bebês e vi como é bom dar atenção a eles. Me senti muito importante trabalhando”, conta ela. Depois de receber o salário, Viviane pretender comprar roupas e bijuterias. “Vou usar o dinheiro para comprar coisas para mim. Sou vaidosa”, ressalta.

Festa lança a primeira Associação de apoio jurídico às Instituições Filantrópicas

 

 

Solenidade de Lançamento da ABAJIF

Solenidade de Lançamento da ABAJIF

A festa de lançamento da Associação Brasileira de Apoio Jurídico à Instituições Filantrópicas (ABAJIF), foi realizada ontem (22) no Empório Guimarães e marcou o início das atividades a serem realizadas pela entidade. Cerca de 250 pessoas estiveram presentes na ocasião, desde autoridades públicas, representantes das instituições filiadas e convidados.

Por meio de uma iniciativa de Bruno Valverde Chahaira, aluno de graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica – (PUCPR Londrina), a ABAJIF desponta como uma forte aliada das entidades que prestam serviços à sociedade.

A partir do Projeto Comunitário da universidade, percebeu-se a carência dessas instituições no que refere-se ao apoio de que necessitam para a resolução de questões jurídicas, das mais variadas naturezas. “Em todas as áreas de conhecimento é possível contribuir e oferecer algo. Espero que a criação desta associação seja uma importante alavanca de incentivo a todos nós”, lembra o presidente durante o evento.

 

Matheus Dalla Corte e Marcela, na passarela

Matheus Dalla Corte e Marcela, na passarela

Na ocasião foram empossados os membros que fazem parte da estrutura de organização da associação. Após a solenidade de lançamento, alunos da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), participaram de um desfile de moda infanto-juvenil, acompanhados por irmãos, pais e profissionais da instituição. Sendo a primeira e principal entidade proponente desta empreitada, a APS DOWN, foi eleita beneficiada pela festa de confraternização e terá toda renda revertida ao investimento de suas atividades.

Autonomia e Mercado de Trabalho para Down’s

“O trabalho dignifica o homem”, pouco ou nada se sabe sobre o verdadeiro autor dessa frase. Porém, sua máxima permanece como exemplo da sociedade capitalista em que vivemos. Segundo o dicionário Aurélio, dignificar significa “tornar digno, honrar”, digno significa “merecedor”, e honrar significa “respeitar”.

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Texto: Camilla Sartorato e Bruno Almeida | Foto: Roberto Ortega

 

Se pensarmos a lógica da frase, o resultado será que todo homem deve trabalhar para ser merecedor de respeito no meio em que vive. O “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down”, realizado em Londrina de 24 a 27 de setembro, discutiu o seguinte tema: “Síndrome de Down: Em busca da Autonomia”.

Entre as discussões promovidas no evento, permeou-se a qualificação da pessoa com síndrome de Down para ocupar vagas de emprego no mercado de trabalho. E também os benefícios que esse tipo de inclusão traz a essas pessoas, suas famílias, a empresa contratante e seus funcionários.

Muitos são os bons exemplos de empregabilidade de pessoas com diversos tipos de deficiência, entre as empresas no Brasil e no mundo. Cada vez mais preocupadas em cumprir com sua responsabilidade social e muitas vezes obrigadas, através de leis cotistas que garantam o ingresso, acesso e permanência dessas pessoas no mercado de trabalho.

A empresa de Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que nunca antes havia tido uma pessoa com Síndrome de Down no seu quadro de empregados, está surpresa com a capacidade e potencial de sua mais nova funcionária. No cargo de auxiliar administrativo, Ana Paula Tarozo, 25 anos, após 90 dias de experiência foi efetivada na empresa pelo seu desempenho e competência. Segundo ela, as atividades são fáceis e seus colegas de trabalho muito divertidos. “Eu posso fazer muitas coisas, saio, danço, trabalho e faço teatro. Eu sou poderosa!”, afirma.

“Ela se desenvolveu muito rápido”, conta-nos Maria Luiza Martins, encarregada do setor de recursos humanos da TCGL. “Em menos de um mês já tinha decorado o nome de todas as pessoas dos vários setores em que ela transita aqui. Isso nos surpreendeu muito, esperávamos por uma pessoa cheia de limitações, que fosse mais dependente e isso não aconteceu. A nossa dificuldade inicial foi a forma de tratá-la, mas descobrimos com o tempo e o convívio, que o tratamento deve ser igual”. Segundo a responsável pela contratação de funcionários, Ana Paula é benquista entre os colegas de trabalho, pois todos a adoram por ser muito simpática.

“Há alguns anos a Grande Londrina mantém em seu quadro de funcionários pessoas com diversos tipos de deficiência. No entanto, Ana Paula é a primeira pessoa com deficiência intelectual”. Maria Luiza admite que a empresa ainda não atingiu o índice ideal de vagas para pessoas com deficiência, como determina a lei de cotas. Porém, é de interesse da empresa disponibilizar cada vez mais vagas. “A contratação da Ana Paula veio de encontro a um desejo nosso – corporativo – de ter alguém na condição dela”.

Para Odeth Tarozo, mãe da mais nova empregada, o trabalho trouxe á tona a responsabilidade. “Ana Paula hoje se comporta de outra maneira dentro de casa. Percebo sua felicidade e satisfação em estar trabalhando. Ela sabe das responsabilidades que tem na empresa e sempre quer aprender e fazer algo novo. Não preciso nem acordá-la mais, ela já se levanta sozinha toda manhã para trabalhar”, conta. Segundo ela é preciso ressaltar a importância da participação da família nesta nova empreitada.

“A família é a base de tudo. Desde pequena, Ana Paula é estimulada. Quando ela nasceu decidi criá-la para o mundo, pois a pessoa com síndrome de Down tem capacidade de realizar várias atividades”.

Todas essas ações tentam através de seus mecanismos realizar a inclusão da pessoa com deficiência. No entanto, permanece ainda estigmatizado – em maior proporção – o preconceito contra a pessoa com deficiência intelectual. Barreiras que interferem significativamente no processo de desenvolvimento de autonomia dessas pessoas.

“Temos que enfrentar o preconceito de cabeça erguida”. É o que nos afirma Gregório José Viventini, 26 anos, empregado há mais de 5 anos em uma lanchonete da cidade. Estimulado desde a infância, Gregório mantém uma vida comum, e muitas vezes corrida. Sendo um exemplo de autonomia e independência, ele estuda, pratica esportes, faz aulas de teatro e sai para se divertir. Namorando há quase dois meses com Viviane Rodrigues Borges, 21, Gregório já pensa em uma relação mais estável. “Estamos namorando por enquanto, eu quero casar, mas não agora”.

 

Congresso sobre síndrome de Down foi um verdadeiro sucesso

O V CONGRESSO BRASILEIRO SOBRE SÍNDROME DE DOWN, realizado de 24 a 27 de setembro, em Londrina/PR, foi um dos mais significativos eventos realizados na área da Síndrome de Down em nosso país, superando todas as expectativas e objetivos esperados. Foi, sem dúvida alguma, um marco norteador para as futuras ações nesta importante temática da inclusão social, contribuindo para os avanços desejados.

Profissionais, amigos e familiares de todas as regiões brasileiras contribuíram com as discussões geradas neste Congresso. Foram dias proveitosos que marcaram definitivamente os organizadores, seja pelo nível técnico dos assuntos abordados, seja pela adesão e comprometimento demonstrados pelos participantes. Se por um lado esse evento teve o poder de mobilizar e coroar todo um trabalho já desenvolvido pela

Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN), por outro indicou novas perspectivas e rumos com uma precisa contribuição para o aperfeiçoamento pessoal e profissional de mais de 800 pessoas.

Pesquisa identifica capacidades motoras de downs

Avaliação foi realizada em outubro do ano passado com 11 alunos do Ilece com idades entre 14 e 30 que não foram submetidas à estimulação precoce
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Texto e Foto: Danilo Felipe

Um artigo acadêmico produzido em outubro do ano passado pela professora de Educação Física Michele Andréa Piquina, avaliou as capacidades motoras de pessoas com síndrome de down, estudantes do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), que não tiveram a estimulação precoce no início da vida. Os resultados mostraram que, nestes casos, a idade motora dos avaliados foi inferior ao que era esperado.

De acordo com Andréa, que apresentou, neste sábado (dia 27), seu trabalho no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, foram avaliados 11 alunos com idades entre 14 e 30 anos. “O objetivo foi identificar as idades motoras de cada pessoa com a síndrome para poder preparar aulas e atividades específicas para cada um”, explicou a professora.

Durante a apresentação do trabalho, ela mostrou os resultados obtidos da avaliação de dois dos alunos, uma menina de 17 anos e um jovem de 21. Em ambos os casos, as idades motoras foram iguais a 4 anos e 3 meses. “É uma característica da síndrome de down um certo atraso no desenvolvimento. Se a pessoa não passa pela estimulação nos primeiros anos de vida, é pior ainda”, analisou.

No entanto, de acordo com Andréa, este quadro vem mudando. “As pessoas avaliadas na pesquisa nasceram em épocas em que a estimulação precoce não era tão divulgada. Hoje em dia, praticamente todas as crianças fazem a fisioterapia corretamente. A mãe já sabe se criança tem síndrome de down no segundo mês de gestação, por isso, ela já vai se preparando para o tratamento do bebê”, ressaltou.

Esse é o tema da próxima pesquisa que a professora vai desenvolver. Conforme ela, a nova pesquisa vai avaliar crianças de 5 a 10 anos de idade que foram submetidas à estimulação essencial na primeira fase da vida. “O objetivo com estas pesquisas é desenvolver a autonomia motora e cognitiva do indivíduo com síndrome de down. Se isso for trabalhado precocemente, a pessoa com a síndrome vai poder desenvolver as características motoras, assim como uma pessoa que não tem down.”

Treinamento prepara hotéis para recepcionar pessoas com Down

Na manhã desta quinta-feira (11/09), profissionais da Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS DOWN) reuniram alguns representantes da rede hoteleira da cidade para um treinamento especial. O encontro foi realizado no auditório da Associação Comercial de Londrina (Acil) e o principal objetivo do trabalho consiste em informar as equipes dos empreendimentos sobre como agir e abordar pessoas com síndrome de Down.

Na ocasião, estiveram presentes a diretora da APS DOWN, Ana Cássia Jorge Cestari, a psicóloga da Associação, Mariane Barusso e a assistente social, Neusa Hernandes Fernandes. Além dos hotéis conveniados Golden Blue Hotel Express, Cedro Hotel, Blue Tree Premium, Confort Suítes, Tomazi Hotel e LondriStar Hotel.

O propósito do curso é oferecer um bom atendimento a turistas e pessoas com síndrome de Down que participarão do “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down”. Para evitar o preconceito e constrangimentos a esse público foram fornecidas informações de como recepcionar essas pessoas. A grande surpresa dos participantes foi descobrir que o tratamento deve ser o mesmo dado aos outros hóspedes.

O treinamento foi realizado em parceria com o Londrina Convention e Visitors Bureau, que realiza atividades de estímulo ao turismo de eventos na cidade e região. Para o responsável e gestor de coordenação técnica das ações, Cristiano Feijó, o processo de inclusão social tem mudado a concepção dos hotéis quanto a novas atitudes. “Londrina vai ver que as pessoas com síndrome de Down não são diferentes. Este evento foi um divisor de águas. Muitos hotéis começam a perceber a importância da acessibilidade e adaptação”, comenta ele.

Durante o encontro foram apresentadas as principais causas e características da síndrome de Down. “Atrás da deficiência intelectual existe um ser humano com personalidade, potencial e gostos próprios” destaca Ana Cássia. “A síndrome de Down é um acidente genético e não escolhe idade, raça ou classe social” explica ela. Segundo a diretora, o principal fator do preconceito é a falta de esclarecimentos e informação.

Os representantes dos hotéis presentes participaram ativamente fazendo perguntas e tirando suas dúvidas. “Receba-os de forma natural. É importante tratar a pessoa com síndrome de Down a partir da idade cronológica que ela apresenta. Ou seja, se for um jovem deve ser tratado como um jovem”, explica Mariane ao questionada sobre as formas de abordagem. Para ela, as regras do estabelecimento devem ser respeitadas também pelas pessoas com deficiência. “Quando alguma regra interna do hotel não for cumprida devem ser chamadas às devidas atenções. Assim como é feito com um hóspede comum”, ressaltou a psicóloga.

Londrina sedia V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down

Caracterizado como um evento multidisciplinar, o “V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down” tem como objetivo promover discussões, palestras e workshops para todas as áreas de interesse. O evento que acontece de quatro em quatro anos está em sua quinta edição e pela primeira vez não será sediado por uma capital estadual.

Durante os dias 24 à 27 de setembro de 2008, a Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down (APS Down), em parceria com a Associação Reviver Down de Curitiba e com o apoio da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), reunirá especialistas, profissionais e familiares no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down (CBSD), a ser realizado no Centro de Exposições e Eventos de Londrina.

Segundo a FBASD, cerca de oito mil bebês nascem por ano no Brasil com a síndrome. Conhecida como um atraso intelectual, a síndrome de Down é uma anomalia nos cromossomos, que ocorre em 1,3 de cada 1.000 nascimentos. A carência de informações sobre o assunto tem diminuído, pois a inclusão social destas pessoas é o que estimula a busca de maiores esclarecimentos. Cada vez mais a sociedade vem se conscientizando de como é importante valorizar a diversidade humana e de como é fundamental oferecer oportunidades para que as pessoas com deficiência exerçam seus direitos.

Com a expectativa de aproximadamente 1,5 mil participantes, o evento tem como objetivo promover a autonomia e a inclusão social das pessoas com síndrome de Down e discutir a conseqüente superação do preconceito e da discriminação ainda existentes. O Congresso, que acontece de quatro em quatro anos, está em sua quinta edição e propõe como tema este ano a “Síndrome de Down: Em busca da

Autonomia”, com o intuito de analisar o caminho para a autonomia das pessoas portadoras.

“A grande quantidade de pessoas sérias e realmente interessadas no assunto é o que motiva a realização deste conceituado evento”, ressalta a pedagoga e moderadora convidada para mesa-redonda com tema “Conquistas Inclusivas na Educação”, Vilma Mello, mãe de Vitória Rita Mello. Para ela, a participação de importantes profissionais com experiências na área, desperta o interesse de todos pela busca de informações e principalmente enriquece a troca de experiências.

A abertura oficial do CBSD acontece às 19h30 do dia 24 de setembro e conta com a participação de diversos convidados, palestrantes e autoridades públicas, entre eles: a secretária de Educação de Londrina, Carmen Lúcia Baccaro Sposti; a secretária de Saúde, Marlene Zucoli; a presidente da Aps

Down e presidente do evento, Elena Mulas Veronesi; o presidente da Reviver Down, Roberto Sekulic; a representante da secretaria de Educação Especial (MEC), Martinha Clarete Dutra; o representante das pessoas com síndrome de Down, Gregório Vicentini; o prefeito da cidade de Londrina, Nedson Micheleti; a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Télcia Lamonica de Azevedo Oliveira e muitos outros.

O Grupo de Teatro para Atores Especiais (GTPAÊ) finaliza a noite de inauguração do evento com a apresentação de uma peça teatral baseada no tema principal das atividades, “Em busca da Autonomia”. O projeto que foi criado em agosto de 1997, numa parceria da Universidade Estadual de Londrina e APAE desta cidade, é composto por um grupo de 12 jovens atores, entre eles os alunos da Aps Down, Gregório Vicentini e Ana Paula Tarozo. As apresentações artísticas ganham o nome de “

Momento Cultural” e acontecerão no fim das atividades de cada dia.

Durante todas as manhãs, serão realizados workshops (minicursos) com 2 horas de duração, abrangendo várias áreas temáticas. As conferências serão apresentadas por especialistas internacionais que demonstrarão seus projetos e conquistas, na área da síndrome de Down, realizados no exterior. Já na parte da tarde, as palestras simultâneas baseiam-se sempre em dois temas de interesse e serão apresentadas por grandes especialistas nacionais.

Entre os profissionais convidados encontra-se o ativista da inclusão e coordenador de um grupo de debate na Internet, Fábio Adiron, que terá participação na mesa-redonda sobre “Contribuições Institucionais”.Segundo ele “o grande desafio da inclusão é acabarmos com a sua necessidade. Ponto!”. Defensor de um ideal em que a sociedade que não precise mais ter secretarias especiais, Adiron acredita que “o desafio que temos para realmente termos uma sociedade que seja justa e acolhedora para todos, é o de construirmos outra sociedade, em que os valores humanos sejam mais importantes que o tamanho do saldo bancário ou as demonstrações de status, de posses e de poder”.

As discussões seguem durante as mesas-redondas que serão realizadas no decurso das tardes em dois horários alternativos. Os diversos debates realizados na ocasião serão palcos de discussões baseadas em cinco linhas temáticas: Relações Familiares, Aspectos Pedagógicos, Aspectos Terapêuticos e Clínicos, Políticas Públicas, Artes, Transição para vida adulta e Qualidade de Vida. No total somam 22 mesas-redondas, durante três dias do evento e divididas por área e faixa etária.

Por ser um encontro atípico, seu principal objetivo é reunir especialistas e principalmente pessoas com experiências para contar. Ou seja, não é fundamentalmente um Congresso acadêmico, onde

essencialmente é necessária a presença de só grandes mestres e doutores. A principal diretriz do evento é interagir pais, familiares, amigos, professores, terapeutas, especialistas, autoridades públicas e, claro, os próprios Down, para expressar suas potencialidades, contribuições, novos métodos e descobertas a fim de, cada vez mais, oportunizar a autonomia e qualidade de vida das pessoas com síndrome de Down.

Para a presidente do evento e também presidente da Aps Down, Elena Mulas Veronesi, a possibilidade de ter um encontro onde se reúnam todas as pessoas envolvidas com a Síndrome de Down, permite fortalecer as bases desse processo de inclusão. “Hoje, a grande parte dos pais acreditam que os filhos podem ter uma vida independente como todo mundo: estudar, trabalhar, casar. A participação das famílias, dos médicos, dos terapeutas, dos pedagogos é uma oportunidade única de troca de experiências”, comenta ela.

“Por que não Londrina?”

Pela primeira vez na história da trajetória do evento não será uma capital estadual que irá sediar as atividades. A primeira edição do CBSD foi realizada na cidade de São Paulo, em 1992. Em 1997 o II Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down ocorreu simultaneamente com o I Encontro Latino-Americano sobre Síndrome de Down, em Brasília, com a participação de cerca de 2 mil pessoas. A terceira realização do evento foi sediada na cidade de Curitiba onde também aconteceu o I Encontro de Irmãos. A última edição do CBSD foi desenvolvida em Salvador, em 2004, com o tema “Família: A gente da inclusão”.

Eleitas por votação, as associações de cada região ligadas a FBASD que irão promover o Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down, são analisadas quanto ao seu papel histórico de inclusão social e trabalhos realizados na área da síndrome de Down. A proposta de trazer o evento para a cidade surgiu de Elena Veronesi, participante assídua de todos os congressos anteriores. “Por que não Londrina?”, questiona ela.

Após sua candidatura lançada no ano de 2004, a Aps Down dentre a seleção de associações inscritas, no final do ano de 2007, conquistou a eleição por estar à frente, apresentando um trabalho de inclusão pedagógica diferenciado. A Associação de Pais e Amigos de Pessoas com Síndrome de Down nasceu de um projeto de extensão universitária desenvolvido pelo departamento de psicologia da Universidade Estadual de Londrina – UEL. Esse projeto teve a duração de quatro anos (1989 –1993) e prestava atendimento às pessoas com a Síndrome de Down nas áreas de Fisioterapia, Fonoaudióloga, e Psicologia.

Atualmente a associação atende cerca de 130 alunos, entre crianças, adolescentes e adultos. Contando com mais de 70 crianças incluídas em escolas de ensino regular, a equipe pedagógica acompanha o desenvolvimento dos alunos em visitas às instituições e reuniões com os professores. Além disso, é o único centro de educação especial que mantêm diariamente uma creche municipal.

O Paraná encontra-se num processo intenso de adequação do ensino especial, principalmente na rede regular. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente na região sul, mais de 3,5 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência Cerca de 21 mil escolas fazem parte do projeto de inclusão social, com mais de 1,5 milhão de alunos integrados na rede.

A construção de um projeto político pedagógico, a quebra das barreiras atitudinais e arquitetônicas, a formação continuada de professores e profissionais da educação e as atividades realizadas nos centros de apoio são os aspectos principais deste processo de desenvolvimento da inclusão no estado.

II Encontro de Irmãos

Paralelamente ao Congresso será realizado o II Encontro de Irmãos, onde os filhos terão atividades diferentes de arte e jogos. Este evento pioneiro aconteceu na cidade de Curitiba, no ano de 2000, favorecendo a convivência de pessoas com Síndrome de Down e seus irmãos, professores, oficineiros, jovens voluntários e artistas, totalizando 296 participantes, e oferecendo a possibilidade de novas experiências.

Na ocasião deste ano, serão realizadas oficinas e atividades de recreação divididas por faixa etária. Durante os dias do evento, os ônibus terão saídas marcadas no Centro de Exposições e Eventos às 8:00 horas e a chegada no mesmo local, às 18:00 horas.

As Inscrições no V Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down podem ser feitas a partir do dia 18 de agosto de 2008, através do formulário de inscrição disponível no site da Aps Down (www.apsdown.com.br). Dúvida e informações: (43) 3328-8785, ou pelo e-mail: congresso@apsdown.com.br.